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Eternidade 1 - Discípulos 💜

Compre agora! Click nos Links !  ✔ Clube de Autores   ✔ Google Play   Lançamento! Eternidade 1 - Discípulos  É basicamente um livro/agenda, um lugar  para ter o controle do espaço e tempo. Sobre a Verdade Absoluta e o questionamento caótico. Economia da argentina, Guerra, Space X, Fome, Política americana, Antártida, Inundações do Rio grande do Sul, Guerra no Oriente Médio, Vacinas e Estação Espacial Internacional.  Considerações do Autor Este livro foi um desafio, muitas dificuldades enfrentei até a publicação. Neste livro você vai encontrar a forma de ler e usa-lo para o controle do tempo. Administrando sua vida da melhor maneira possível. É um livro sobre sonhos, de tudo aquilo que uma pessoa pode conseguir. Sempre em busca da sobrevivência humana no caos. São 13 capítulos que contam como parte dos 20 dias do planejamento, representam os meses do ano com um mês especial dedicado as férias. Bem didático, com imagens ilustrativas, significados da palavras ...

O Código Duro de Matar


O Código Duro de Matar

demência frontotemporal (DFT)

Não há cura, e a progressão é inevitável, entretanto vamos verificar.

A DFT "ataca" o que nos define como seres sociais, a personalidade, o comportamento e a linguagem. Isso ocorre devido à atrofia dos lobos frontal e temporal do cérebro.

Se considerarmos apenas o córtex cerebral (a camada externa "enrugada"), os lobos frontais e temporal juntos chegam a representar cerca de 50% a 60% dessa área.

Vastidão de Funções: Como eles cobrem uma área enorme, a doença afeta desde o controle de impulsos e planejamento (Frontal) até a memória semântica, reconhecimento de rostos e compreensão da linguagem (Temporal).

Visibilidade em Exames: Devido ao seu grande tamanho, quando a atrofia ocorre na DFT, a perda de volume nesses locais torna-se muito evidente em exames de ressonância magnética, criando o aspecto de "encolhimento" característico.

Se uma metade do cérebro está comprometida devemos inserir estímulos na outra metade.

 

Estímulo Visual e Espacial (Lobos Occipital e Parietal): Como essas áreas costumam ser preservadas por mais tempo na DFT, usamos pistas visuais.

Exemplo: Em vez de dar uma instrução verbal complexa (que exige o lobo temporal), usamos placas, cores e setas no chão para guiar o paciente pela casa.

Memória Procedural e Música: Áreas motoras e de processamento rítmico podem estar intactas.

Exemplo: O paciente pode esquecer o nome dos filhos, mas ainda consegue tocar um instrumento ou seguir um ritmo. A música é um dos estímulos mais poderosos para acessar áreas que a doença ainda não tocou.

Atividade Física: Estimular o cerebelo e o córtex motor ajuda a manter a autonomia física e a reduzir a ansiedade, "gastando" a energia que a falta de inibição frontal gera.

 

A estratégia da "Reserva Cognitiva"

Estimular a "outra metade" ajuda a criar o que chamamos de reserva. Um cérebro que continua sendo estimulado visualmente e fisicamente tende a lidar melhor com a perda de outras funções, retardando a perda total de independência.

O segredo é: O estímulo não deve ser um "exercício difícil" (que estressa o frontal), mas sim uma atividade prazerosa e sensorial (que usa o parietal e o occipital).

 

A Neuroplasticidade Compensatória.

Vicariância (Assunção de Funções)

Este é o termo técnico para quando uma área saudável assume a função de uma área danificada.

Nas áreas "menos motivadas": Os lobos Parietal (sensorial) e Occipital (visão) são, muitas vezes, as partes menos "exigidas" em tarefas de decisão social, mas estão íntegras na DFT.

A estratégia: Ao inserir estímulos intensos nessas áreas (como exercícios de toque, reconhecimento visual de cores ou orientação por mapas), forçamos o cérebro a criar novas "estradas" neurais que desviam da área frontal danificada.

Neuroplasticidade por "Enriquecimento Ambiental"

O cérebro responde diretamente ao ambiente. Se o ambiente é monótono, as partes saudáveis também "desligam".

O que fazer: Inserir novos estímulos (música, texturas, atividades físicas) libera substâncias chamadas fatores neurotróficos (como o BDNF). Eles funcionam como um "fertilizante" para os neurônios que ainda estão vivos, tornando as conexões entre eles mais fortes e resistentes.

O paciente pode continuar executando tarefas do dia a dia, não porque a área doente melhorou, mas porque as áreas saudáveis ficaram tão "treinadas" que aprenderam a compensar a falha.

Exemplo real: Um paciente com DFT que perde a capacidade de planejar o banho (falha frontal) pode ser treinado para responder a um estímulo visual de cores no banheiro (estímulo occipital/parietal). O cérebro usa a "visão" para substituir o "pensamento".

Independente do treinamento e das novas rotinas, completamente diferentes de uma pessoa normal, ainda sim o paciente sofrerá o intelecto reduzido, porem terá uma visão da vida completamente nova.

 

A Mudança do "Pensar" para o "Sentir"

Quando o lobo frontal (o filtro crítico e o juiz) perde força, o paciente para de viver no futuro (preocupações) ou no passado (arrependimentos).

Foco no Agora: A pessoa passa a ser guiada por estímulos imediatos. Se o sol está batendo na pele e está agradável, aquela é a realidade total dela.

O fim das máscaras sociais: Há uma honestidade brutal. Sem as convenções sociais, o paciente expressa o que sente no momento exato, sem filtros.

 

O Despertar da Criatividade Visual

Existem casos documentados de pacientes com DFT que, conforme perdiam a fala e a lógica, desenvolviam um talento artístico extraordinário.

Por que acontece? Como o lobo temporal esquerdo (linguagem) silencia, o lobo parietal direito (visão espacial e arte) fica "livre" para se expressar sem a interrupção da lógica.

A Nova Visão: O paciente pode começar a notar cores, texturas e formas que antes ignorava por estar "ocupado demais" pensando em problemas.

 

A Redução da Complexidade

O "intelecto reduzido" que traz uma simplificação da existência. Para o cuidador, isso é doloroso, mas para o paciente, pode significar um estado de serenidade sensorial.

Pequenos prazeres: Uma música, o gosto de um alimento doce, o toque de um tecido ou o movimento das folhas de uma árvore podem se tornar fontes de alegria imensa.

Menos angústia existencial: Como a capacidade de projeção futura é afetada, o medo da própria morte ou da progressão da doença muitas vezes desaparece para o paciente, mesmo que permaneça para a família.

 

A Nova Rotina como um "Novo Mundo"

Ao aceitar que o paciente agora habita essa "nova visão", a família pode parar de tentar trazê-lo de volta para o mundo intelectual e começar a visitá-lo no mundo sensorial.

O desafio é: Ver a pessoa não como um "intelecto quebrado", mas como um ser que agora se comunica por outras vias — pelo olhar, pelo ritmo e pelo afeto físico.

 

O código

Sem dúvida essa é a parte fenomenal da cura, ao associar o sentir a um objetivo, a pessoa tem total interação coma as pessoas, é como uma língua de sinais ou a língua para cegos.

A pessoa ainda vai aparentar estar em uma condição de necessidades especiais, mas sabe que o vermelho tem um significado especial, lógico e recompensador ao fazê-lo.

Essa característica da recompensa pelo uso correto do código nos remete ao treinamento de animais de outras espécies, isso ocorre exatamente porque outras espécies não mantem um diálogo com seres humanos.

A transição do processamento cognitivo (abstrato) para o processamento operante (concreto/sensorial).

A Lógica do Vermelho (Estímulo-Resposta): Se o paciente não entende mais o conceito abstrato de "perigo" ou "pare", mas foi condicionado a associar o vermelho a uma recompensa (um sorriso, um doce, um toque afetivo) ao interromper uma ação, você criou um "atalho" neural. Você não precisa que o lobo frontal analise a situação; basta que o lobo occipital reconheça a cor e o sistema límbico ative a busca pela recompensa.

O "Treinamento" como Linguagem de Amor: Embora a comparação com outras espécies possa parecer fria para alguns, do ponto de vista neurológico, ela é brilhante. Você está acessando o cérebro basal, as estruturas mais profundas e resistentes que compartilhamos com outros seres vivos. Se não há mais diálogo intelectual (palavras), o diálogo ocorre através do condicionamento positivo.

 

A Recompensa como Motor da Interação

Na DFT, a apatia é comum porque o paciente perde a "motivação interna". O código que você descreve devolve ao paciente a motivação externa:

Significado Lógico e Recompensador: Ao usar o código corretamente e receber uma gratificação imediata, o paciente sente-se bem-sucedido. Isso reduz a agitação e a agressividade, pois o mundo deixa de ser um caos confuso e passa a ter regras simples e previsíveis.

Interação Total: Mesmo que a pessoa aparente ter necessidades especiais, ela deixa de estar "ausente". Ela se torna um agente ativo dentro desse novo sistema de sinais.

 A chave para cuidar com dignidade: parar de exigir o que a pessoa não pode mais dar (intelecto) e começar a valorizar o que ela descobriu (sensorial). Esse "código" transforma o cuidado em uma forma de tradução. O cuidador vira o tradutor que converte o mundo complexo em cores, ritmos e recompensas, permitindo que o paciente, mesmo com o intelecto reduzido, continue participando da vida e da família através desse "sentir com objetivo".

No final você percebe que a cura é relativa, é como a cura para velhice ou cura para a morte. É uma transformação, talvez uma resposta do corpo humano a busca pelo instinto primitivo.

As memórias residuais são as "âncoras" fundamentais nesse processo. Elas não são memórias de fatos (como o que a pessoa comeu ontem), mas sim memórias afetivas e procedurais (o "corpo" lembra como fazer ou como sentir).

Na DFT, enquanto o intelecto se apaga, essas memórias profundas, guardadas em circuitos mais resistentes, funcionam como a "cola" para o código. Elas ajudam o paciente a aceitar o novo sistema porque ele ressoa com algo que já existia lá dentro.

Abaixo, um exemplo de Mapa do Código Sensorial, utilizando a lógica de desvio das áreas afetadas para as áreas preservadas.

Mapa do Código Sensorial (O Guia Prático)

Este mapa foi desenhado para converter o ambiente em um sistema de "navegação instintiva".

O Código das Cores (Substituindo o Planejamento Frontal)

Use cores sólidas e contrastantes para sinalizar funções básicas. O cérebro occipital (visão) processa a cor antes mesmo de o frontal entender o que é o objeto.

🟥 Vermelho (Parar / Alerta): Use em portas que não devem ser abertas ou objetos perigosos (fogão). A recompensa aqui é o redirecionamento para algo seguro.

🟦 Azul (Necessidades Básicas/Água): Marque o caminho para o banheiro ou o copo de água.

🟩 Verde (Ação Positiva / Alimento): Use na mesa de refeições ou na poltrona de descanso.

Como conectar: Sempre que o paciente interagir corretamente com a cor, ofereça o reforço positivo (um toque no ombro, um elogio verbal ou um pequeno agrado sensorial).

 

Memórias Residuais: O "Gancho" Afetivo

As memórias que resistem são as de longo prazo e as musculares. Use-as para validar o código:

A Trilha Sonora da Vida: Se a pessoa era religiosa ou amava um gênero musical, use essa música como sinalizador de tempo. Música clássica = hora de banho; Música calma = hora de dormir. O cérebro não precisa "pensar" na hora, ele sente o ritmo e se prepara.

O Toque Familiar: Use texturas que a pessoa sempre gostou (lã, veludo, madeira). O estímulo tátil no lobo parietal ajuda a situar a pessoa no espaço quando a visão falha por agitação.

 

O Fluxo de Recompensa (Processamento Operante)

Para que o código funcione, o ciclo deve ser curto e imediato.

Estímulo (Input)

Ação Esperada

Recompensa (Output)

Placa com Foto (Porta do Quarto)

Entrar no cômodo correto

Sorriso e acolhimento imediato

Sinal de Luz (Luz amarela acesa)

Hora de sentar para comer

O sabor do alimento (prazer sensorial)

Ritmo de Palmas

Seguir o cuidador

Contato físico (abraço/segurar a mão)

 

Por que as Memórias Residuais ajudam?

As memórias residuais agem como o "software de base". Se você tenta ensinar um código totalmente estranho, o cérebro pode rejeitar. Se você associa o código a algo que ele já conhece (como o cheiro de um perfume antigo ou o ritmo de uma canção de infância), o "atalho" neural é criado muito mais rápido.

Sabores

Enquanto o espectro de cores visíveis é finito, o sistema gustativo e olfativo (que andam juntos) oferece uma biblioteca de dados quase ilimitada e, o mais importante, está diretamente ligado ao Sistema Límbico (o centro das emoções e memórias profundas).

Na DFT, o lobo frontal pode estar atrofiado, mas o córtex gustativo e as áreas olfativas costumam ser preservados por muito mais tempo. 

 

O Código dos Sabores: A Biblioteca de Recompensas

Se as cores guiam o caminho (o "mapa"), o sabor é o que dá o sentido e a vontade de caminhar (o "objetivo").

Sabores como Sinalizadores de Tempo e Espaço

Podemos usar a "assinatura de sabor" para que o paciente entenda onde está e o que vai acontecer, sem precisar de uma única palavra:

Manhã (Cítrico/Fresco): O sabor da laranja ou do limão pode sinalizar o despertar. O cérebro associa o frescor à atividade.

Refeição (Salgado/Umami): O uso de ervas fortes (manjericão, alecrim) cria um marcador de que aquele é o momento de interação social na mesa.

Noite (Doce/Conforto): Sabores como baunilha ou mel funcionam como um sedativo natural, sinalizando o descanso.

 

A Memória Residual do Paladar

O paladar é uma das últimas memórias a se apagar. Sabores da infância ou pratos afetivos funcionam como um "teletransporte" emocional.

O "Gatilho de Segurança": Se o paciente entrar em uma crise de agitação (comum na DFT), um sabor familiar e intenso (como um chocolate específico ou um café) pode interromper o curto-circuito frontal e trazer a pessoa de volta para um estado de prazer sensorial imediato.

 

A Recompensa Infinita

Os sabores são infinitos. Isso permite que o "Código de Recompensa" não se torne monótono:

Variedade para evitar a apatia: Pacientes com DFT podem se tornar apáticos. Mudar o perfil de sabor (do doce para o levemente picante ou ácido) "acorda" o cérebro, forçando-o a processar uma informação nova através do sistema sensorial íntegro.

O Código do "Sim": Se o vermelho significa "Pare", um sabor doce ou agradável pode ser o código para "Continue" ou "Você fez algo certo".

 

O Mapa de Sabores no Código de Sobrevivência

Objetivo

Estímulo (Sabor)

Por que funciona?

Engajamento

Sabores intensos (Azedo/Doce)

Desperta a atenção do tronco cerebral.

Calma

Sabores mornos e aveludados

Ativa o sistema parassimpático.

Orientação

Sabores específicos para cada cômodo

Cria um mapa geográfico baseado no paladar.

 

A "Cura" pelo Prazer Sensorial

Ao focar nos sabores infinitos, você está oferecendo ao paciente uma liberdade que o intelecto não permite mais. Ele pode não saber mais o nome da fruta, mas a experiência do sabor daquela fruta é completa, real e gratificante. Nesse ponto, o "Código Duro de Matar" se torna uma experiência gastronômica de vida: o paciente deixa de ser alguém que "esquece" e passa a ser alguém que "degusta" o presente.

 

Chaves do tempo: Demência, Código, Adaptação e Dignidade.



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