Operação Rio de janeiro
Todos sabem que a zona norte do rio de janeiro é um território em guerra contra traficantes e criminosos.
A operação Rio, tem como finalidade o combate direto, onda a onda.
Como é feito isso?
Pense nos grandes eventos cujo perímetro de segurança se estende por camadas impedindo que criminosos entrem dentro do evento, ou seja, para chegar no palco o sujeito atravessaria várias camadas de segurança.
A lógica é o oposto, onde o perímetro maior cobre toda a extensão ocupada por criminosos e cada onda de assalto é um novo círculo de perímetro de segurança.
Com isso o funil se fecha e a cada avanço os traficantes são empurrados para o centro, túneis e escavações podem contornar essa estratégia já que as camadas de segurança são superficiais. É imperativo que cada casa e esconderijo seja vasculhada.
Segundo o protocolo, você pode empurrar o tráfico para áreas de mata, onde o combate fica mais selvagem. Entretanto a ideia de um cerco é a permanência onde o alvo fica sitiado.
O Funcionamento do "Funil" (Cerco Conscêntrico)
Para que essa estratégia de ondas e perímetros progressivos funcione, o protocolo geralmente se divide em três fases:
Bloqueio Externo (A Grande Linha): Viaturas, blindados e barreiras cobrem as principais vias de acesso e rotas de fuga conhecidas (ruas asfaltadas, saídas para avenidas ou rodovias como a Avenida Brasil ou Linha Amarela).
Asfixia e Avanço (As Ondas): Equipes táticas avançam viela por viela. A cada quarteirão dominado, uma nova "camada" de contenção é estabelecida atrás deles para garantir que o território tomado não seja reocupado pelas costas.
O Centro (O Sítio): Os criminosos são empurrados para o coração da comunidade ou para áreas de mata. Sem mobilidade e sem reabastecimento de munição, o alvo fica sitiado.
Desafios
Subsolo e Arquitetura Caótica: O tecido urbano das favelas da Zona Norte (como o Complexo do Alemão ou da Penha) é um labirinto de becos sobrepostos, lajes conectadas e, sim, sistemas de esgoto ou valas que servem como rotas subterrâneas. A varredura de "casa em casa" exige um contingente humano gigantesco e esbarra em limites legais (necessidade de mandados coletivos, que são amplamente debatidos no meio jurídico).
A "Guerra de Mata": Empurrar o tráfico para as áreas de vegetação (como o Maciço da Tijuca ou a Serra da Misericórdia) transforma o combate urbano em guerra de selva. Embora isole os criminosos da população civil, o terreno hostil, o uso de casamatas ocultas e o conhecimento do terreno pelos traficantes tornam o confronto extremamente letal e de difícil progressão.
O Custo da Permanência: O segredo do sucesso dessa estratégia, como você mencionou, é a permanência. Um cerco só funciona se o sufocamento for mantido por semanas ou meses. Historicamente, manter milhares de homens em posição de cerco estático gera um custo financeiro, logístico e de desgaste de pessoal que o Estado raramente consegue sustentar a longo prazo, resultando na retirada das tropas e no retorno do status quo.
Soluções imediatas
Garantia da Lei e da Ordem, frequentemente abreviado pela sigla GLO.
O que é: É uma operação excepcional e temporária em que o Presidente da República autoriza o emprego das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica) para atuar em situações onde as forças tradicionais de segurança pública (polícias) se mostram insuficientes ou esgotadas.
Poder de Polícia: Durante o período da GLO, os militares ganham, temporariamente, poder de polícia para agir, realizar prisões e proteger o patrimônio e a integridade da população dentro da área delimitada pelo decreto.
Decreto Presidencial: A GLO não acontece automaticamente; ela depende da assinatura de um decreto presidencial. Esse decreto define a área de atuação, os objetivos e o prazo de duração da missão.
Com uma GLO assinada o estado estaria sendo auxiliado pelas forças da nação e não somente o contingente do rio de janeiro, isso significa guerra ao tráfico.
Controle territorial ocupacional
Engenharia de Bloqueio: As tropas não apenas cercariam, mas utilizariam engenharia militar para obstruir acessos clandestinos (vias de terra, trilhas em matas, túneis artesanais), tornando o perímetro um "cinturão de aço".
Varredura Estruturada: Com a autoridade da GLO, o esforço de "casa em casa" seria apoiado por uma cadeia de comando unificada, permitindo que a ocupação fosse faseada: primeiro a periferia, depois a consolidação, e finalmente a entrada no "coração" da facção, sem pressa de se retirar.
Capacidade de Sustentação: A grande vantagem militar é a logística. O Exército possui autonomia para manter postos de bloqueio, realizar rodízios de tropas e garantir o suprimento logístico (alimentação, energia, comunicações) por longos períodos sem depender da infraestrutura urbana local, que muitas vezes é sabotada pelo crime.
Inteligência e Tecnologia de Vigilância: O uso de radares, drones de longo alcance, sensores térmicos e tropas de inteligência de sinal (SIGINT) permite monitorar o fluxo de pessoas e o movimento de veículos dentro do perímetro de cerco 24 horas por dia, dificultando a logística de "reabastecimento" do tráfico que entra e sai da comunidade.
Justamente o ponto humanitário
O "Fator Humano" e a População Civil: Diferente de uma zona de guerra convencional, a favela é densamente habitada. Qualquer cerco prolongado gera crises humanitárias (restrição de circulação, falta de serviços básicos, medo). O uso de forças militares em ambiente urbano sob GLO atrai um escrutínio internacional e jurídico rigoroso sobre a preservação da vida civil.
É natural, encontrar a vulnerabilidade social nas favelas, o país faz ações humanitárias em outros países como Congo, Haiti, Venezuela entre outros como a história mostra, mas não olha para o próprio umbigo.
Onde a prioridade é combater a fome deveria ser exatamente nas zonas de conflito, claro que com acesso limitado pois o recurso não pode ser desviado para alimentar o tráfico oculto na favela.
A sua reflexão sugere que, em vez de apenas "combater o crime", o Estado deveria realizar uma intervenção humanitária interna. Isso significa que a GLO não seria apenas um instrumento de força, mas um instrumento de estado presente.
A estratégia que você propõe exige que, uma vez fechado o funil, o Estado não apenas se mantenha no território, mas substitua a governança do crime pela governança do Estado.
O Filtro da População
Para que o Build (Construir) funcione, você precisa garantir que o recurso não seja drenado pelo crime. Este pilar seria a "limpeza final" da estrutura social:
Cadastramento Biométrico: Como você sugeriu, o acesso a benefícios sociais (alimentos, serviços, saúde) seria vinculado a um cadastro de moradores. Isso cria um mapa demográfico onde o Estado sabe exatamente quem vive ali.
Gestão de Antecedentes: Indivíduos com mandados de prisão pendentes ou histórico de atuação criminosa identificados durante o cadastramento seriam processados de imediato. Isso remove a "liderança local" ou os "olheiros" que geralmente usam a população como escudo.
Separação dos Públicos: A estratégia impede que o morador comum continue sendo refém da milícia ou do tráfico para ter acesso a direitos básicos (como água, luz, gás). O Estado assume o lugar do "provedor" que o crime ocupava, deslegitimando o poder paralelo.
A Sinergia com a Copa
Se o Estado antecipar a ocupação:
O Rio de Janeiro vira o "Showcase": Em vez de esconder a realidade das favelas atrás de cercos policiais durante a Copa, o governo poderia apresentar um modelo de sucesso onde a segurança e a cidadania foram restauradas um ano antes. Logística de Segurança Integrada: A Copa do Mundo exige um esquema de segurança de perímetro para estádios e hotéis. Se a cidade já estiver ocupada e sob controle estatal através dos 4 pilares, a segurança do evento torna-se muito mais simples e econômica, pois o risco vindo das comunidades do entorno já foi mitigado.
A Sinergia do Modelo Completo
O sucesso dessa estratégia reside no fato de que o Control retroalimenta o Build, que por sua vez justifica o esforço do Hold e do Clear.
Sem o Clear, o Estado não entra.
Sem o Hold, o Estado não permanece.
Sem o Build, o Estado não é aceito.
Sem o Control, o Estado é sabotado por dentro.
Transformar esse conceito em realidade exige uma coordenação que o aparato de segurança pública comum raramente possui. É necessário um comando unificado onde generais, delegados, prefeitos, assistentes sociais e engenheiros respondam à mesma cadeia de tomada de decisão.
Ou seja, simplesmente focar na solução prática de um modelo eficaz.
A eficácia deste modelo não será testada pela intensidade do combate no início da operação, mas pela capacidade de o Estado manter a "governança" após o fim do grande evento. O "Control" é a chave que garante que o Estado, uma vez dentro, não precise sair mais.
Chaves do tempo: Clear, Hold, Build e Control.

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