Arte marcial: Defesa pessoal no combate de elite

Arte marcial: Defesa pessoal no combate de elite

Arrogância e prepotência, é o que as pessoas acham que sabe sobre meu estilo de luta, sendo honesto, minha experiência de combate foi construída desde muito jovem, e posteriormente lapidada a ponto de não querer mais lutar.

Mas o que muita gente não sabe é que o domínio na luta exige que você deixe o oponente reagir, dar a esperança que seu golpe funciona ou está funcionando, se você não permite que haja a interação não existirá a experiência de combate.

Dizem que a melhor defesa é aquela, mas a verdade é que a melhor defesa é o contra-ataque.
Conhecer o ataque e gerar uma resposta imediata e ofensiva contra o oponente.

Isso é previsão, onde o inimigo ataca e como ganhar a oportunidade é o que define a estratégia do combate.

Golpes leves de pequeno impacto não geram essa visão de luta, apenas os golpes massivos e impactantes podem gerar esse tipo de resposta.

É a pressão, onde a causa do dano é maior do que se pode suportar, entra a adaptação.

Bruce Lee, usava a interceptação primeiro, que nada mais é do que atacar ao esboço da ameaça, mas isso é uma grande falha se o oponente souber que você usará a interceptação primeiro, pois simplesmente você cria uma situação ideal para a armadilha do contra ataque.

Para alguém leigo nas artes marciais ou alguém que assiste ao combate, achará que o ataque foi desferido porque o adversário é mais rápido ou a interceptação primeiro é um ataque.

Na verdade, quando você usa a interceptação primeiro você deve priorizar a velocidade ao invés da força, é uma desestabilização do oponente, o que compromete seus movimentos, ou seja se toda vez que o oponente esboçar uma ação for acertado ele vai ser induzido a um erro, a tentativa de superar essa velocidade.

Treinamento 

Me dá um soco, e eu te mostro a técnica. 

Essa é a consequência do ataque desesperado do oponente que sofreu da interceptação primeiro. Usando a interceptação, você só está aquecendo, cutucando o adversário com ataques velozes a fim de sacudir mentalmente o adversário. Um oponente abalado não conseguirá agir com razão. Na técnica é onde entra o conhecimento e os ataques incapacitantes, nocautes ou knockdowns.

Mas não estamos analisando a interceptação primeiro como melhor defesa, e sim o contra-ataque.

Na maioria dos casos é somente abaixar a guarda com os punhos na linha da cintura, as pernas mantém a base de luta, distribuindo o peso para seu ataque, seja em 50/50 ou 40/60 com peso maior na perna de trás.

Isso gera um alvo da cintura para cima, onde aparentemente não há proteção. O problema é fazer isso imóvel, não se pode parar na frente do adversário esperando que ele ataque, é preciso fazer isso em movimento, seja de avanço ou recuo de base.

Quando você induzir o oponente a atacar, você deve ter a leitura do combate em mente, ele vai dar um soco ou um chute?

Você define isso através da sua própria base, base aberta com maior envergadura com rosto projetado a frente, o oponente pode tentar um soco, já que a aproximação dele garante que você não chute. Se você usar a base mais junta, em pé com os pés próximos é um convite a um chute, mas não tranque o abdômen antes, pois pode fazer o oponente mudar de ideia sobre o ataque.

Perceba que o contra-ataque se transforma em uma resposta imediata de um ataque, isso dentro ou fora dos ringues.

Ao se posicionar sem a guarda voltamos lá para o treinamento onde você é o mestre que exige que o aluno dê um soco.

Respiração é muito importante no combate e exibir a caixa torácica ou mesmo a boca do estômago para o oponente golpear, exige concentração e velocidade.

Acima de tudo um contra ataque vem com a pancada é como atacar no ataque do oponente, outra manobra do jeet Kune do, mas não é exatamente igual, é mais como o braço de ferro do karatê ou canela de aço do muay Thai.

O movimento é constante não é como na capoeira, mas é igualmente desgastante, ter que circular o oponente deixando ele no centro, dominando o combate.

Independente do oponente socar ou chutar você estará preparado para colocar o cano do braço em ângulo com o cotovelo, essa manobra é instintiva, um reflexo que você usará com força.

Esquivas 

No boxe tradicional se esquiva para as laterais e por baixo, a esquiva para trás é um caminho difícil, porque a sua própria coluna que funciona de mola para voltar e golpear.

Se você não voltar para atacar você estará parado, sua base acabou de sustentar seu tronco para trás, daí ou você projeta o tronco para frente com o ataque ou continua a queda para trás com golpes de chute.

Não é qualquer lutador que consegue aplicar golpes enquanto se desloca de uma esquiva para trás, mas é comum na capoeira.

O fluxo 

É uma manobra que descende do Kung Fu, então ela não termina onde acontece o impacto ela começa.
Ou seja, toda vez que realizar um ataque no ataque do oponente você avança a base para o real golpe.
Ao fazer isso o oponente pode recuar rapidamente pela dor ou assustado com seu movimento, mas você continua pressionando até conseguir atingir o alvo.
Se optar por deixar o adversário se recompor terá que fazer o movimento novamente, mas dessa vez o adversário sabe que você quer contra atacar.

Clinch

O oponente pode tentar se segurar em você após o impacto, com a base firme, a passada a frente se transforma em projecção do oponente ao solo, como um golpe de judô, ou uma queda na chave de jiu-jitsu, como um triângulo ou armlock.

Você usa a projeção para encaixar a chave o impacto no solo é a oportunidade de finalizar a luta.

Mushin

O Mushin (無心, pronunciado "moo-sheen") é um conceito filosófico e técnico de origem budista Zen, amplamente integrado às artes marciais japonesas, como o Kendo, o Karate e o Aikido. Traduzido literalmente como "mente sem mente" ou "sem intenção", não significa uma mente vazia ou inativa, mas uma mente desobstruída e livre de interferências.
Para um praticante de artes marciais, alcançar o Mushin significa que, no momento do embate: 

Você não tenta "planejar" um contra-ataque.

Você não se abala com um golpe recebido.

Você não se entusiasma com um golpe dado.

Você simplesmente se torna um canal. O ataque do oponente fornece a energia e a oportunidade, e o seu corpo, sem interferência consciente, responde com a técnica correta no tempo preciso. Como dizia Bruce Lee: "Não pense, sinta". Essa é a essência do Mushin no combate.

Para mim, não pensar e apenas fazer é um risco, sua mente deve ter lucidez o suficiente para encerrar uma luta. Você não precisa danificar mais o oponente do que o necessário. Entretanto, não pensar sobre o dano causado ou não medir sua intensidade e agir com tudo, será uma luta de um único golpe.

Lutar em si não significa ganhar em segundos, afinal para que o contra-ataque que pode golpear o oponente com um ataque rápido e certeiro?

Você não vence sendo sortudo, você vence sendo superior em combate, isso significa que seus movimentos e precisão são tão poderosos que o oponente vai querer desistir de lutar.

O risco de perder o Mushin ocorre apenas se você ficar tão focado no "dano" que esqueça de "sentir o movimento". Contanto que o seu foco seja a precisão do ponto (o "onde") e não o desejo do dano (o "querer machucar"), o Mushin permanece intacto. Essa capacidade de ter a "mão" pronta para destruir, mas o "cérebro" pronto para parar, é o que define um combatente que tem controle total sobre o seu ambiente. 

Em outras palavras, no combate seu corpo vai agir, você não terá tempo para pensar, mas saberá onde se deve golpear e a intensidade, pois o ponto e a força aplicada é o que definem e prolongam a luta.

Velocidade

A mão é mais rápida que a visão, você faz um ataque com a mão aberta estilo faca, como se fosse partir um punhado de telhas ou lançar uma bola de baseball, o movimento é o mais rápido que conseguir até escutar o som do seu golpe cortando o ar, essa é sua velocidade de luta nada será tão rápido quanto isso, ao se acostumar com sua própria sombra estará apto para enfrentar qualquer oponente.

Em outras palavras, esse treinamento com o golpe de mão é semelhante a um golpe de espada, você não consegue visualizar, mas consegue sentir e ouvir. Ao se acostumar com a velocidade de seu próprio braço descendo em um ataque perceberá a distração visual que acontece nos combates.

Visão

Olhos fixos no alvo ou no tronco do oponente?

Se ficar olhando de cara feia para o alvo, você pode intimidar, se mantém a visão serena nas armas do oponente ele se solta, mas isso não é estar de olhos fechados, você está enxergando mesmo que quem vê de fora ache que está de olhos fechados.

Aqui existe a estratégia, se olhar fixo para o oponente você não visualiza os golpes e a movimentação de pernas. Se mantêm os olhos no tronco fica vulnerável para golpes de cima para baixo.


Teste sua força

Faça uma luta com um sparring ou o campeão, de preferência alguém superior em combate, e analise se ele defende todos os seus golpes ou te acerta demais, em um momento da luta prepare seu contra ataque, ele será rápido e fluido, o movimento tem que ser preciso então use toda sua velocidade, antes de executar a manobra inspire o ar e solte simultaneamente no golpe.

É provável que consiga acertar o golpe, você o preparou e mentalizou, o mushin não de tá isso, você continuaria lutando e ignoraria a técnica exata para aquela situação.

O lutador mediano se acostuma a um ritmo. Quando você insere um jab com uma velocidade que supera o que ele considera ser a sua "velocidade média", você força uma resposta de pânico.

Ele tentará reagir a esse jab de forma convencional (bloqueio ou esquiva comum). Como a sua velocidade é superior ao que ele processou, a defesa dele chega atrasada. Isso abre a guarda, desestabiliza a base dele e cria a abertura exata para o seu contra-ataque.

Depois disso, você se prepara para que o oponente "morde a isca", será uma série de ataques, contra ataques bem sucedidos, o oponente ficará receoso ao entrar novamente.

Chaves do tempo: Iniciativa, Tático, Disciplina e Velocidade.

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