O Custo da Soberania

O Custo da Soberania

Já escrevi sobre um país abdicar de seus recursos para evoluir economicamente, isso é considerado por muitos como colonização moderna, onde existe demanda tem que existir a oferta. Se um país não tem petróleo ele irá buscar meios de importar esse ativo para seu próprio país.

Custa caro manter a soberania frente a demanda de outros, se pensar, imagine que toda a população da China e Índia, decidisse parar de produzir alimento e comprasse de um único país como o Brasil, isso causaria escassez de alimento no Brasil.

Então o custo de soberania está ligado diretamente ao custo de soberania (sobrevivência) de outro país, esse equilíbrio permite que acordos comerciais aconteçam e a troca mantém ambos os países na lista existencial.

Produção nuclear

Os novos acordos para energia nuclear são positivos, a primeira verdade que vem à tona é que isso será alvo de sanções europeias, você dá a mão mas tira com a outra logo depois, se os seus interesses forem questionados.

A independência da Ucrânia sofre bastante com isso, afinal estão no processo de transição eliminando a dependência da Rússia.   

Essa decisão gerou fortes críticas, preocupação e debates intensos na Ucrânia e em diversos setores políticos da União Europeia. A parceria, que envolve a fabricação de combustível nuclear em Lingen (Alemanha) por uma subsidiária da francesa Framatome utilizando tecnologia e componentes da estatal russa Rosatom, foi vista sob lentes muito negativas por analistas de segurança e aliados de Kiev.

Porta dos Fundos para a Rússia: Especialistas e veículos de imprensa ucranianos criticaram abertamente o acordo, comparando-o aos erros do passado com o gasoduto Nord Stream 2. Para Kiev, a medida abre uma espécie de "porta dos fundos" para a Rosatom consolidar e expandir sua influência e lucros no mercado nuclear europeu, enfraquecendo o esforço global de isolar economicamente a máquina de guerra russa.

Risco de Segurança Nacional e Espionagem: Na visão ucraniana e de setores de defesa europeus, permitir a cooperação tecnológica e o trânsito de know-how russo em um setor ultra-sensível como o nuclear, mesmo com restrições impostas, representa brechas perigosas para espionagem e vulnerabilidades estratégicas, considerando que a Rússia trata formalmente a UE e a Alemanha como adversárias.

Divisão e Contradição Energética: A reação no bloco europeu foi mista, evidenciando um dilema prático. Vários países do Leste Europeu e a Finlândia ainda dependem de usinas nucleares projetadas nos moldes soviéticos (VVER), cujos reatores exigem especificamente esse tipo de combustível e tecnologia russa. Substituir totalmente esses sistemas exige bilhões em investimentos e anos de transição.

Críticas Internas e Pan-Europeias: O próprio Ministério do Meio Ambiente da Alemanha e políticos ambientalistas e conservadores de peso classificaram a autorização como "fundamentalmente incorreta", apontando que o setor civil nuclear da Rússia continua escapando de sanções mais duras devido a esses gargalos de dependência energética de alguns Estados-membros da UE.

Isso sem dúvida é algo que mostra para o Irã ou Arábia Saudita, que a Europa não precisa de sua energia nuclear, e que os Estados Unidos vão agir como reguladores dessa energia no Oriente Médio.

Essa tolerância seletiva com o setor civil nuclear russo, justificada pela dependência técnica dos reatores estilo soviético (VVER) no Leste Europeu, acaba enfraquecendo o discurso moral e estratégico do Ocidente, dando margem para que outras nações questionem a consistência e a imparcialidade das regras globais de segurança e sanções.


A Munição Diplomática para Rivais (Rússia e China)

Potências como Rússia e China aproveitam essas contradições para minar a credibilidade da ordem internacional liderada pelos Estados Unidos e pela Europa.

Em fóruns globais (como os BRICS), Moscou e Pequim usam esses exemplos para pintar o Ocidente como egoísta e inconsistente, argumentando perante o restante do planeta que as regras de comércio e segurança internacional só valem quando favorecem os interesses ocidentais.

Entretanto, se a Europa está se aproximando da Rússia em um momento de aplicações de tarifas de 25%, isso se torna uma jogada de retaliação.

Quando a Europa se vê acuada por barreiras comerciais e medidas duras vindas de aliados tradicionais, abre-se espaço para uma lógica de pragmatismo cínico ou de "desalinhamento calculado":

Diversificação de Margem de Manobra: Demonstrar a Washington que a Europa — ou partes industriais dela, como a Alemanha e a França — não está disposta a seguir cegamente todas as diretrizes geopolíticas impostas de cima para baixo se isso custar a sua própria base industrial e energética.

O Uso da Soberania Tecnológica como Moeda de Troca: Mesmo que o acordo nuclear gera crises internas e críticas de aliados como a Ucrânia, ele serve para sinalizar aos EUA que a Europa ainda dispõe de autonomia para ditar seus próprios termos comerciais, mesmo que isso passe por brechas com rivais geopolíticos como a Rússia.

A guerra não acabou, a Ucrânia continua sendo o braço armado da Europa frente às exigências da Rússia. Voltando um pouco no tempo, temos ameaças de destruição mútua assegurada, entre França e Rússia, e agora cooperamos no desenvolvimento nuclear.

A armada nórdica é composta pelos quatro países Noruega, Suécia, Finlândia e Dinamarca. Não são ameaças para a Rússia, ainda que reúnam coragem para ameaçar, todo o bloco europeu está dependente da Rússia, logo não arriscaria sua própria soberania em uma guerra aberta.

Mas a contagem da terceira grande guerra já começou, no futuro poderá analisar distâncias nas datas do conflito, com marcas que são carregadas para o próximo, em outras palavras é como comparar 2014 como o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

As guerras são para militares, civis continuaram suas vidas paralelamente às operações.

Isso significa que a paz está em curso, a luta pelo território ainda existirá, seja mantendo sua fonte de recurso ou reivindicando o direito.

Antigos regimes cairão, apenas para surgirem com outros nomes e mais organizados. O tempo de usar a tecnologia para o combate é agora, poupar vidas humanas no fronte de batalha é o que define quem mantém mais poder militar, ou seja se usa máquinas para o combate seu soldado continua evoluindo e compreendendo a guerra de fora.

Toda e qualquer instalação de produção são alvos em guerras, isso significa que é preciso ocultar suas atividades para que não seja um alvo, guerras destroem infraestrutura que demora anos para serem construídas, e perdê-la em meio a guerra é um duro golpe para qualquer nação.

Eternidade 1

  • Soberania (Ambiente)
  • Energia (Ordem)
  • Geopolítica (Caos)
  • Tecnologia (Ação)

Chaves do tempo: Soberania, Energia, Geopolítica e Tecnologia.

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